Escassez de recicláveis afeta remuneração de catadores

Além da falta de materiais, aumento do número de catadores autônomos e ação de atravessadores preocupam os trabalhadores
Em pleno fim de ano, quando acontecem as tradicionais festas natalinas, catadores de recicláveis ligados à Cooperativa Cootacar viram suas remunerações despencarem por conta da escassez de materiais provocada por ação de catadores autônomos e ação de atravessadores.

A pandemia do novo coronavírus reduziu a produção de materiais recicláveis e, por conta disso, o preço no mercado disparou, provocando um aumento no número de catadores autônomos.

Nos últimos dois meses, o Ecoponto Santa Cruz, que tem capacidade para processar até 90 toneladas mensais de materiais, está trabalhando com uma média de 55 toneladas. No auge de sua produção, nos meses de setembro e outubro, as famílias receberam um salário de R$ 1,8 mil.

“O que vem acontecendo é que as famílias, nesta pandemia, estão consumindo menos e também há uma supervalorização do material reciclável. O pet, por exemplo, era vendido a R$1,70 e hoje está valendo R$ 2,80 o quilo. E a mesma situação nós verificamos com o alumínio, o cobre e os plásticos que tiveram quase 100% de aumento”, diz o gestor Cootacar, Jonatas Barreto.

Diante desta valorização dos recicláveis no mercado, os catadores autônomos, atravessadores e pessoas que perderam seus empregos viram nesta atividade a possibilidade de obtenção de renda.

“Com isso, os materiais mais nobres como papelão, papel, plásticos não estão chegando até as cooperativas e estamos ficando sem material para processar e vender. E, isto é preocupante porque temos famílias trabalhando aqui e que vivem desta atividade. O rendimento delas caiu muito chegando a apenas R$ 800 no último mês”, destaca o gestor.

Os vidros, por terem baixo valor de mercado chegam até a cooperativa e, muitas vezes, são descartados de forma inadequada pelos atravessadores, gerando um problema ambiental. “Por isso nós precisamos da ajuda da comunidade. Pedimos que as famílias, os condomínios e as empresas continuem separando o material reciclável, depositando em bolsas de ráfia que a coleta seletiva do município passará recolhendo nos dias certos”, observa o gestor.

 Funcionamento

O Ecoponto Santa Cruz foi inaugurado em julho deste ano e funciona em turnos mistos, sendo o turno do dia destinado a 32 famílias de catadores de todas as regiões da cidade. À noite o recebimento de materiais é para  um grupo de 20 trabalhadores do bairro Santa Cruz que moram próximos ao barracão. Isso acontece, porque um dos objetivos deste projeto é fazer com que haja a integração da comunidade com a cooperativa.

Como conseguir as bolsas de ráfia

Se você quer fazer a separação do lixo reciclável e não sabe onde conseguir as bolsas de ráfia, basta ligar para os telefones: 3902-1383/3321 2078, no setor de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, ou ainda no telefone 3324 0066, na cooperativa de recicladores.

Fim de ano

O gestor da Cootacar explicou que durante as festas de fim de ano os recicladores vão trabalhar normalmente na véspera do natal e véspera  de ano novo. O trabalho será em regime de escalas. Mas, na cooperativa as atividades não vão parar. A coleta seletiva será feita normalmente nos bairros e condomínios. O material será levado para a cooperativa.

Ecopontos

Os ecopontos construídos em Cascavel são estruturas modernas , bem equipadas e que oferecem todas as condições de trabalho, higiene, segurança e conforto necessários para as famílias de catadores de recicláveis que vivem desta atividade.

Ao todo, seis unidades serão construídas. Até agora, está em operação o Ecoponto Santa Cruz, inaugurado em julho deste ano. Ainda para este ano devem ser entregues as unidades do Cascavel Velho e Jardim Melissa. Os demais, Ecopontos do Jardim Brasília, Quebec e Manaus, somente no próximo ano estarão à disposição para uso das famílias de recicladores.

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