AS VIRGENS PRUDENTES Mt. 25:01-13

Em resposta a pergunta dos discípulos no monte das oliveiras (Mt.24:3), Jesus passa a falar em parábolas, a respeito de sua segunda vinda para o dia do juízo final. A parábola das dez virgens é um tema escatológico para enfatizar a importância de estar preparado para a volta de Cristo a qualquer momento, mesmo se ele demorar mais do que o esperado. Pois quando ele voltar, não haverá uma segunda chance para os que estiverem despreparados (v.11-12).

Quanto aos personagens desta parábola podemos destacar da seguinte maneira: 1) – As noivas virgens representam todos os cristãos; 2) – O noivo representa o Senhor Jesus Cristo; 3) – O número 10 significa a completude humana. Temos 10 dedos nas mãos e nos pés. São 10 os mandamentos recebidos por Moises. As 10 virgens englobam todos os cristãos de todas as épocas; 4) – A lâmpada é a palavra de Deus nas Escrituras Sagradas (Sl.119:105). Essas lâmpadas que estavam com as virgens representam nosso espírito recriado (Pv.20:27). O nosso espírito é como uma lâmpada que foi acesa diante de Deus.

Na parábola, todas as virgens tinham óleo nas lâmpadas. A questão é que elas não tinham óleo sobrando. As virgens sem juízo não tiveram suprimento suficiente para evitar a “morte da lâmpada.” Começaram com o óleo, mas não se esforçaram para mantê-lo até a chegada do noivo. As virgens sem juízo esperavam ser salvas com o óleo alheio, sem esforço. Queriam a festa, mas não o esforço. Mantiveram o foco no lado fácil do cristianismo, se acomodaram.

Se por um lado Jesus exorta: “Entrem pela porta estreita, porque é larga a porta e espaçoso o caminho que levam para a perdição, e são muitos os que entram por ela (Mt.7:13). Por outro lado temos a oferta de um cristianismo fácil, lith, sem muita exigência, apresentado por muitas igreja ditas cristãs, onde tudo pode, tudo é válido. Os requisitos de conversão, mudança de mente e a transformação de caráter, para adquirir uma nova natureza, não são mais necessários. O fato é que o preço é alto, é necessário uma autonegação, uma decisão de abrir mão de seus desejos e vontades para fazer aquilo que agrada a Deus, e poucos querem pagar o preço de ser um verdadeiro discípulo. Afinal, a graça é de graça, mas não é barata.

Já os cristãos de hoje querem tudo: enriquecer, prosperar, ter uma vida acomodada, sem compromisso com nada, a não ser com suas agendas sociais suas diversões e aquilo que lhes dá prazer. Querem viver da tal maneira e serem olhadas pelos outros como pessoas prósperas e abençoadas por Deus. Muitos foram atrás de Jesus, mas quando desafiados, deram um passo atrás. Um homem foi até Jesus e dele ouviu: “Falta só uma coisa para você fazer: vá, venda tudo, dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu; depois venha e siga-me” (Mc 10.17). Ele porém preferiu seus bens, seus negócios, seus encontros com os amigos nas rodadas de bebidas. A outro, Jesus disse: Segue-me! E ele respondeu: “Permite-me ir primeiro sepultar meu pai” (Lc 9.59). E outros ainda quando ouviram a radicalidade das palavras mais contundentes de Jesus, responderam: “esse modo de falar é duro demais, quem pode continuar ouvindo isso” (Jo.6:60). O preço toma uma dimensão grande demais para algumas pessoas e elas não vão querer pagar este preço. Vão desistir, vão pedir para sair, vão abandonar Cristo. John Stott em seu livro “cristianismo básico” diz: Não devemos segui-lo por aquilo que podemos receber, ou, pelo que podemos oferecer, mas, acima de tudo pelo que ele nos deu. O que Cristo pede que ele primeiro não tenha oferecido?

Enfim, o distanciamento de Deus, leva ao pecado, é “luz apagada, o azeite que terminou”. Já as virgens prudentes tinham óleo suficiente para uma possível demora. Estavam mais interessadas em encontrar o noivo do que agradar suas colegas sem juízo. Se as prudentes dividissem o óleo com as sem juízo, em pouco tempo todas estariam no escuro. Dividir o óleo não é o mesmo que multiplicar. Se nos acomodarmos ao pouco óleo e não buscarmos abastecimento constante, morreremos. Não olhemos para a lâmpada alheia, achando que ela irá nos salvar. Vamos adquirir nosso próprio óleo: arrependimento, confissão, obediência e comunhão. Assim a luz não se apagará.   O óleo nas Sagradas Escrituras simboliza o Espírito Santo. O óleo sobrando é a qualificação para reinar com o noivo (Jesus). Quem recebe o Espírito Santo quer fazer algo na direção de Deus, é gente comprometida, é séria, são pessoas desapegadas de bens materiais, e querem ver as coisas acontecendo, pois elas sabem que o Reino é tomado pelo esforço (Mt.11:12) e a Salvação é pela graça (Ef.2:8). “Portanto, fiquem vigiando, pois vocês não sabem qual será o dia, nem a hora”

IGREJA ANNGLICANA    _      Rev. Marialvo Rodrigues

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