Após vistoria na UPA e Hospital Universitário, vereadores pedem intervenção

Foto: Flávio Ulsenheimer/ Assessoria CMC

Após vistoria na UPA e Hospital Universitário, vereadores pedem intervenção

Os vereadores da Comissão de Saúde da Câmara Municipal dizem que o sistema de internação de pacientes no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP) só vai melhorar quando o estado fizer uma intervenção na gestão da unidade. A partir de denúncias na manhã de hoje (16), os vereadores visitaram uma UPA e o HUOP, quando encontraram “uma situação de caos” na UPA e leitos vagos no HUOP.

A visita de inspeção foi feita pelos vereadores Josué de Souza (PTC), Roberto Parra (MDB) e Jorge Bocasanta (PROS), presidente, secretário e membro, respectivamente, da Comissão de Saúde. Eles visitaram a UPA Tancredo Neves logo que receberam denúncias dando conta de que muitas pessoas estariam internadas de modo improvisado em macas na UPA enquanto aguardavam vagas no Hospital Universitário. Na UPA, os vereadores verificaram que havia 52 pessoas aguardando atendimento pelo HUOP, das quais 22 eram pacientes de ortopedia, vítimas de acidentes diversos, como de trânsito e quedas. “Nós verificamos inclusive casos de pacientes aguardando em macas improvisadas. Tinha gente esperando ainda na maca do Siate, por falta de capacidade de atendimento da UPA, sobrecarregada por falta de leitos. Isso é absurdo”, relata Josué de Souza. “Nós encontramos uma situação de caos na UPA e por isso decidimos ir ao HUOP na sequência. E lá, situação tranquila e até com leitos vagos”, completa o vereador Roberto Parra. Nas duas unidades de saúde os vereadores foram recebidos e acompanhados por pessoas das equipes de gestão.

A equipe de coordenação da UPA Tancredo, que recebeu a comissão, explicou que os pacientes, uma vez registrados na UPA, passam a aguardar atendimento no HUOP a partir do momento em que ocorre a solicitação de vaga junto a central de regulação de leitos, coordenada pelo Consamu.

Segundo os vereadores, na pior das hipóteses, esses pacientes precisam aguardar internação no próprio HUOP. “Lá os pacientes teriam menos riscos no caso de algum agravamento do quadro clínico, porque já estariam numa unidade onde tem toda uma estrutura, inclusive de emergência”, explica Josué de Souza.

No Hospital a comissão foi recebida pelo diretor administrativo, Rodrigo Suzuki. Os vereadores afirmam que 20 vagas estavam abertas, inclusive duas para neurocirurgia. “Segundo nos disseram, os leitos estariam livres por que não teria demanda de pacientes”, conta Josué. A equipe do HUOP disse aos vereadores que alguns leitos livres decorriam de pacientes que receberam altas médicas desde ontem à tarde. “Isso é absurdo. Leitos livres e lá na UPA, pessoas em macas improvisadas no corredor”, avalia Parra.

Já no final da manhã, de volta à Câmara, menos de duas horas após a inspeção, o vereador Parra recebeu informação da equipe da UPA Tancredo que logo após a visita da comissão ao HUOP, cinco pacientes da unidade foram transferidos da UPA para o HUOP. “Isso é complicado demais para todo mundo, principalmente para os pacientes. E essa remoção de pacientes após a visita mostra que, de fato, o sistema funciona só sob pressão. Por isso, acreditamos, o Estado precisa intervir imediatamente no HUOP para resolver esses problemas recorrentes”.

PEDIDOS JÁ APRESENTADOS AO ESTADO

Na semana passada, os vereadores Josué de Souza e Roberto Parra já fizeram um encaminhamento de pedido de providências quanto aos processos de atendimento de pacientes no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP). Eles estiveram reunidos com o secretário de Estado da Saúde, Carlos Alberto Gebrim Preto, quando protocolaram as demandas. Os vereadores da comissão, inclusive, protocolaram na Câmara um requerimento à Secretaria de Estado da Saúde para que disponibilize à comissão o relatório final de uma auditoria realizada no hospital, em meados desse ano. Conforme os vereadores, o secretário Carlos Alberto Preto, ao final do encontro, informou que encaminharia uma série de providências dentro dos próximos dias, em atendimento às demandas da comissão de saúde da Câmara Municipal de Cascavel. “Agora, queremos uma intervenção imediata”, reitera Josué.

No documento entregue ao secretário de Estado, a comissão pedia três providências: 1 – que em Cascavel os plantões médicos sejam realizados pelos hospitais conveniados ao SUS e não somente pelo Hospital Universitário; 2 – que seja mudado o fluxo de regulação das vagas de internamento hospitalar no município de Cascavel – que hoje é feito pelo médico plantonista do hospital -, passando a responsabilidade de indicação de vaga para o Consórcio Intermunicipal do Oeste do Paraná (Consamu); e 3 – que os pacientes acidentados e infartados, por exemplo, sejam encaminhados diretamente para os hospitais conveniados ao SUS e não mais para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do município, como ocorre atualmente.

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